Por Lucas Bastos em 17/04/2020

O balanceamento de uma carteira é uma medida de similaridade entre a sua composição e a de uma carteira objetivo. Quando dizemos que uma carteira está balanceada, significa que ela é igual ou, pelo menos, suficientemente parecida com a carteira objetivo.

Não é possível avaliar o balanceamento de uma carteira sem antes definir os objetivos e os critérios de comparação. Para definir seus objetivos é necessário que você decida quais ações quer possuir, bem como o percentual de cada uma delas na sua carteira. Como critério de comparação você pode utilizar a diferença absoluta acumulada entre os percentuais das ações que compõem sua carteira atual e os percentuais dessas ações na sua carteira objetivo. Quanto menor for essa diferença, melhor será o balanceamento da sua carteira.

Carteira Atual e Carteira Objetivo

A figura acima mostra uma carteira desbalanceada com relação à sua carteira objetivo. A diferença absoluta entre as duas carteiras é de 50%.

Definindo a carteira objetivo adequada para você

Existe uma infinidade de maneiras de montar uma carteira de ações. Por isso, é importante focar nos aspectos mais relevantes na hora de pensar na sua carteira objetivo. Veja alguns deles.

Invista para longo prazo

Não faz sentido pensar em balanceamento de carteira se o seu horizonte de investimentos é de curto prazo e seu foco é trade. Balanceamento só faz sentido para investidores de longo prazo que querem ter uma carteira equilibrada com boa gestão de risco, bom potencial de retorno e geração de renda.

Escolha empresas de qualidade

Mais importante do que o tempo de investimento é a qualidade das empresas que você vai colocar em sua carteira. Lembre-se de que, para uma empresa dar retorno para seus acionistas, ela precisa apresentar lucros consistentemente. Isso só é possível, se ela for bem administrada e possuir vantagens competitivas no seu mercado de atuação.

Diversifique

A diversificação reduz o risco específico do investimento. O risco específico depende das características particulares de cada empresa e do seu negócio. Mudanças inesperados em setores ou mercados específicos podem impactar de forma muito negativa uma determinada empresa. Aumentar a quantidade de ações de diferentes empresas na sua carteira, reduz significativamente os efeitos do risco específico.

Definindo os percentuais e realizando os aportes

A maioria dos investidores que seguem a estratégia Buy and Hold realiza aportes regularmente, geralmente, uma vez por mês. Uma forma bastante comum de decidir a alocação do dinheiro de cada aporte é através da alocação simplificada.

Na alocação simplificada, o dinheiro é utilizado para comprar uma única ação. É escolhida a ação que possuir menor participação na carteira no momento do aporte. Essa técnica é a maneira mais simples de tentar comprar as ações que mais caíram de preço (ficaram mais baratas) ou que receberam menos aportes e, ao mesmo tempo, manter um balanceamento minimamente razoável da carteira. No entanto, a alocação simplificada possui desvantagens: exige que os percentuais das ações na sua carteira objetivo sejam todos iguais e, além disso, não garante uma alocação eficiente do dinheiro no tempo. Quase sempre, aportar na ação que está mais para trás na carteira não a melhor alternativa porque podem existir outras ações mais atrativas e com espaço suficiente para comportar o dinheiro aportado sem prejudicar o balanceamento da carteira.

Uma forma mais eficiente de realizar aportes, seguindo a estratégia Buy and Hold, é otimizar a alocação do dinheiro de forma a comprar as ações mais atrativas num determinado momento e, ao mesmo tempo, manter a carteira balanceada. Uma outra vantagem da alocação otimizada é que os percentuais de cada ação na carteira não precisam ser iguais e, dessa forma, possibilita ao investidor minimizar o risco / retorno da carteira através de técnicas de otimização de portfólio.

A grande desvantagem de utilizar a segunda abordagem é a sua complexidade. No entanto, com o uso de uma ferramenta de apoio adequada, é perfeitamente possível executá-la até mesmo por investidores iniciantes.

A nossa ferramenta de gestão de carteiras permite que você escolha tanto a alocação simplificada quanto a alocação otimizada e realize seus aportes de forma totalmente automatizada. Você só precisa definir quais ações quer ter em carteira e qual o tipo de alocação quer utilizar. Nossos algoritmos fazem todo o trabalho pesado para você. Quando quiser fazer um aporte, basta inserir o valor, para que a ferramenta calcule a distribuição mais adequada do dinheiro na sua carteira. Veja um exemplo de uso desse recurso na figura abaixo.

Aporte Otimizado

Foque em melhorar sua carteira continuamente

Ter uma carteira desbalanceada não é necessariamente algo ruim. Pode indicar apenas que você ainda está caminhando na direção do seu objetivo. Além disso, é perfeitamente normal que, com o tempo, você mude de ideia a respeito de algumas escolhas. Ao modificar sua carteira objetivo, naturalmente sua carteira atual ficará menos balanceada até que novos aportes reduzam essas diferenças.

O importante é entender como cada decisão sua interfere no balanceamento da sua carteira e utilizar isso ao seu favor.

 

Lucas Bastos
É fundador do ivalor, doutor em computação aplicada e investe em renda variável desde 2006.
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