Por Lucas Bastos em 23/11/2019

Small, Mid e Big Caps

Termos como Small Caps e Blue Chips são comumente utilizados para classificar empresas que possuem ações listadas na bolsa de valores. Esses termos estão diretamente relacionados ao porte dessas empresas e essa informação, quando bem utilizada, pode ajudar o investidor a alcançar seus objetivos mais rapidamente.

O porte ou capitalização de mercado de uma empresa de capital aberto é dado pelo seu valor de mercado. O valor de mercado, por sua vez, é obtido multiplicando-se o preço atual pela quantidade total de ações da companhia.

As classificações mais comuns são empresa de pequeno porte (Small Caps), de médio porte (Mid Caps) e de grande porte (Big Caps, Large Caps ou Blue Chips), mas não existe uma definição oficial. Sendo assim, cada instituição financeira, corretora e/ou casas de análise costuma definir suas próprias categorias e valores de mercado correspondentes.

O porte e o ciclo de vida das empresas

Apesar de não ser algo óbvio à primeira vista, as empresas possuem um ciclo de vida que se inicia com sua formação, passa pelo crescimento, chega à maturidade e, finalmente, entra na fase de declínio. Algumas empresas em fase de declínio se reinventam e retornam a uma etapa anterior do seu ciclo de vida.

Naturalmente, empresa em seus estágios iniciais são menores do que quando estão maduras e estabelecidas. Dessa forma, o porte de uma empresa pode indicar em que estágio ela está do seu ciclo de vida e, portanto, o seu potencial de crescimento no mercado que atua.

Dessa forma, se o investidor deseja se tornar sócio de empresas com elevado potencial de crescimento, tenderá a procurar empresas de qualidade que ainda estejam longe de alcançar a maturidade (Small ou Mid Caps). Por outro lado, se o objetivo do investidor for distribuição de lucros, o mais provável é que encontre essa característica em empresas maiores e consolidadas (Big Caps).

Liquidez, volatilidade e outros riscos

Por razões óbvias, empresas pequenas possuem menos dinheiro em circulação no mercado (na forma de ações) e esse fato, por si só, implica em menor liquidez e maior volatilidade em potencial. Menor liquidez porque essas ações não comportam os enormes volumes negociados pelos grandes investidores e acabam sendo negociadas apenas pelos menores players. Da mesma forma, quanto menor o volume médio de negociação, maior a probabilidade de surgir um comprador ou vendedor grande o suficiente para empurrar a cotação rapidamente para cima ou para baixo.

Além dos riscos derivados da própria dinâmica do mercado de ações, empresas de pequeno porte também podem estar mais vulneráveis à concorrência e a possíveis oscilações do seu mercado de atuação. Adicionalmente, podem ser mais afetadas pela economia nacional e internacional, pela política econômica, pelas taxas de juros, variações cambiais, instabilidade de preços, políticas fiscais, regimes tributários, etc.

Dessa forma, ao comprar ações de empresas de pequeno porte, o investidor está mais exposto a alguns riscos do que ao comprar empresas maiores. No entanto, o porte nada tem a ver com a qualidade da empresa e da sua gestão, sendo perfeitamente possível encontrar excelentes Small Caps, bem como péssimas Big Caps. Sendo assim, o porte é apenas um indicador dos tipos de riscos que o investidor deve ficar mais atento ao analisar as empresas.

Em quais investir?

Em primeiro lugar, não custa reforçar que o porte não é o fator primordial ao se escolher uma empresa para investimento de longo prazo. A qualidade sim, é o que vai aumentar significativamente a chance de resultados superiores e consistentes ao longo do tempo.

Uma vez que você tenha definido os seus critérios de qualidade para seleção de ações e tenha entendido os riscos e características relacionados ao porte das empresas correspondentes, você pode compor sua carteira tanto com empresas de menor porte, com o objetivo de obter retorno via crescimento, quanto pode incluir empresas maiores, mais seguras e que distribuam uma parcela maior dos lucros na forma de dividendos.

De forma geral, existem evidências empíricas que Small Caps tendem a valorizar mais do que as demais empresas em períodos de alta da bolsa, mas, em contrapartida, valorizam menos em períodos de queda. Em última instância, no longuíssimo prazo, espera-se que o retorno do investimento em Small Caps seja superior.

Os Índices ivalor mostram o desempenho das melhores empresas da bolsa (de acordo com nosso algoritmo de análise fundamentalista) e corroboram essa hipótese. De acordo com os resultados dos nossos testes, o Índice ivalor Small Caps obteve um desempenho de cerca de 300% no período entre o início de 2016 e final de 2019 (4 anos de alta da bolsa). Esse resultado foi 50% superior ao Índice ivalor Top 50 que obteve aproximadamente 200% no mesmo período. Por outro lado, entre o início de 2012 e o final de 2015 (4 anos de queda da bolsa) o Índice ivalor Small Caps obteve apenas cerca de 20% de rentabilidade contra cerca de 50% do Índice ivalor Top 50.

Com base nesses resultados, aumentar o percentual de Small Caps em ciclos longos de alta da bolsa e reduzi-lo em períodos prolongados de queda pode melhorar o desempenho de uma carteira de longo prazo mantendo os riscos sob controle.

A classificação adotada pelo ivalor

Uma vez que o valor de mercado das empresas pode variar desde alguns milhões de reais até centenas de bilhões de reais, o ivalor utiliza a seguinte classificação de porte:

  • Small Cap: valor de mercado menor do que R$ 5 bilhões
  • Mid Cap: valor de mercado entre R$ 5 e 25 bilhões
  • Big Cap: valor de mercado maior do que R$ 25 bilhões

Em algumas situações, quando queremos detalhar mais a classificação, como na página das empresas, por exemplo, acrescentamos à categoria Small Cap as subcategorias Nano Cap e Micro Cap e também acrescentamos à categoria Big Cap a subcategoria Mega Cap. Dessa forma, a nossa classificação detalhada é a seguinte:

  • Small Cap: valor de mercado menor do que R$ 5 bilhões
    • Micro Cap: valor de mercado entre R$ 200 milhões e 1 bilhão
    • Nano Cap: valor de mercado menor do que R$ 200 milhões
  • Mid Cap: valor de mercado entre R$ 5 e 25 bilhões
  • Big Cap: valor de mercado maior do que R$ 25 bilhões
    • Mega Cap: valor de mercado maior do que R$ 125 bilhões

 

Lucas Bastos
É fundador do ivalor, possui doutorado em algoritmos e otimização e investe em renda variável desde 2006.
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